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Côn. Godofredo Chantrain, O.Praem. 18/03/14

DOM ALDERICO LAMBRECHTS O.PRAEM.

2013 ANO JUBILAR: DOM ALDERICO LAMBRECHTS O.PRAEM 11/10/1893 Vestição - 120 anos 24/09/1898 Ordenação Presbiteral - 115 anos 23/09/1923 Bênção Abacial - 90 anos Motivos suficientes para colocar os holofotes sobre a vida deste religioso premonstratense da Abadia de Averbode, Bélgica, que atuou no Brasil nos anos de 1902-1936.

BIOGRAFIA Nasceu aos 10 de agosto de 1874 Frans Louís, filho de Bernardinus Lambrechts e de Catarina Verbruggen na pequena cidade de Beersel, na Bélgica. Foi batizado no dia seguinte na Igreja Paroquial da mesma localidade. “Desde a meninice, e já mais pronunciadamente na puerícia, duas fortes tendências se manifestaram, como principais factores de seu caráter: o estranhado amor ao estudo e o mais sincero culto pelo catholicismo.” (Jornal de Jaguarão, 10/08/1908).

AVERBODE - ROMA 1893 – 1902

Abadia de Averbode (Bélgica)

Entrou na abadia Premonstratense de Averbode, na Bélgica, aos 11 de outubro de 1893 e recebeu com o hábito branco o nome religioso “Alderico”. Dois anos mais tarde emitiu os votos temporários e com a dispensa de seis meses do triênio pronunciou seus votos solenes aos 05 de março de 1898. Tornou-se assim Cônego Premonstratense. Em poucos meses seguiram as três ordenações: subdiácono aos 31 de maio de 1898 na abadia de Tongerlo, Bélgica, diácono na mesma abadia aos 11 de setembro e depois de três semanas foi ordenado Presbítero na Abadia Beneditina de Maredsous, Bélgica, aos 24 de setembro do mesmo ano. Assim ele estava pronto para iniciar ainda aos 24 de outubro seus estudos filosóficos na Universidade Gregoriana de Roma. Alcançou o título de Doutor em Filosofia em 1901. Durante um ano lecionou filosofia na abadia de Averbode, preparando os jovens religiosos.

JAGUARÃO (RS) 1902 -1914

JAGUARÃO (RS) 1902 -1914

Aos 02 de setembro de 1902, partiu a quinta caravana: os Cônegos Anselmo Valvekens e Siardo Wijns para Pirapora e Alderico Lambrechts e Domingos Sars com os irmãos Luiz Sabbe e Alfonso Daems para Jaguarão, onde os Premonstratenses tinham assumido a direção do colégio em 1901. Após uma pequena estadia em Pirapora, os quatro últimos chegaram a Jaguarão aos 12 de novembro de 1902. “Após dois anos de professor, dedicados aos seus lecionamentos, quando Côn. Rafael Goris foi nomeado para o Seminário de Pirapora, o Côn. Alderico Lambrechts o sucedeu como reitor do Colégio Espírito Santo em Jaguarão. E mais profícua não podia ter sido a sua direção; rápidos foram os progressos do Colégio Espírito Santo, de modo que em janeiro do corrente ano o colégio foi equiparado ao Gymnásio Nacional e passava a denominar-se Gymnásio Espírito Santo. Hoje se orgulha Jaguarão de possuir uma casa de instrução de 1a ordem e o deve em grande parta à tenacidade e aos valiosos esforços de seu preclaro reitor.” (Revista Bromil 15 de julho de 1908). Mais que os outros premonstratenses, Cônego Alderico Lambrechts, como reitor do Ginásio de Jaguarão, sentiu no dia 05 de novembro de 1911 uma terrível sombra sobre a obra do ginásio. A lei “Rivadavia Correa” (de origem maçônica), claramente inspirada pelos anti-religiosos, tira a equiparação das Instituições de ensino prolongado. O número de alunos declina rapidamente. Fim de 1914, o ginásio fecha as portas e os Cônegos Estêvão Baeyens, Godofredo Evers, Antônio Sempels, Vitor Cornelissen, Domingos Sars, Norberto Lem com os irmãos Lucas Vandermeulen, Lamberto Baguette, Luís Sabbe e José Withofs sob a direção de Côn. Alderico Lambrechts partem para Jaú...

JAÚ (SP) 1915 – 1917

JAÚ (SP) 1915 – 1917

Côn. Alderico Lambrechts torna-se o primeiro reitor Premonstratense do “Colégio Diocesano”de Jaú aos 27 de fevereiro de 1915. Durante dois anos e meio. ele dirige e anima os estudantes do colégio de Jaú. Cedo demais é nomeado Vice-reitor e Diretor espiritual no Seminário de Pirapora onde assume seu cargo aos 19 de junho de 1917.

PIRAPORA (SP) 1917 – 1936

PIRAPORA (SP) 1917 – 1936

No seminário de Pirapora e na Paróquia do Senhor Bom Jesus Côn. Alderico Lambrechts vai passar a terceira fase de sua estadia no Brasil. Quando Côn. Vicente Van Tongel morre no início de 1920, Côn. Alderico assume a função de reitor do Seminário e pároco do Santuário. Aos 15 de agosto de 1920 é nomeado Co-Visitador (Superior) dos Institutos Averbodienses no Brasil. Celebrando o jubileu de prata da Ordenação Sacerdotal é nomeado Abade Titular da Abadia de São Miguel em Antuérpia, Bélgica, aos 23 de setembro de 1923. (Essa abadia de Antuérpia foi supressa pela Revolução Francesa.) Dia de glória e honra bem merecidas. Foi também nomeado Cavalheiro da Ordem da Coroa da Bélgica Treze anos Dom Alderico dedica suas melhores forças e seu zelo extraordinário à formação de seus seminaristas, ao pastoreio de seus paroquianos e à animação de seus confrades. Cedo demais, aos 27 de junho de 1936, com apenas 62 anos, morreu no hospital Santa Catarina, em São Paulo, poucos dias depois que ele, já com problemas no pé, ainda presidiu a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, tanto a Celebração Eucarística, como a Solene Procissão do Santíssimo. Foi enterrado no cemitério de Pirapora. Depois por ocasião do Jubileu de Ouro da Chegada dos primeiros confrades a Pirapora, os restos mortais foram transladados aos 11 de julho de 1947 para a cripta no corredor em frente à Capela do Seminário.

Em 1961 foi Dom Alderico Lambrechts o primeiro premonstratense, que recebeu em honra de seus serviços múltiplos prestados à comunidade a designação de uma rua, bem no centro da cidade: “Rua Dom Alderico Lambrechts“. Igualmente em 1993 o EEPG do Jardim Bom Jesus recebeu o título de “Dom Alderico Lambrechts”

TESTEMUNHOS

Lápide

“Um dia, uma tal Mariazinha veio do sítio para vender ovos e frangos em Pirapora. Não conseguiu vender nada e já desanimada, alguém aconselhou de tentar no seminário. Subiu e falou com João Barbante, que logo informou Dom Abade. Este mesmo desceu de seu quarto, foi conversar com Dona Mariazinha e comprou tudo o que ela tinha. Assegurou-lhe que podia vir cada semana para vender e pediu para trazer farinha de milho, pois ele gostava muito disso. Dona Maria tinha cinco filhos pequenos e recebeu roupas para as crianças e a sua marmita, que era uma lata de bolachas vazia, ficou cheia de comida suficiente para o almoço e a janta de toda família. Dom Alderico nunca dava dinheiro, pois respeitava a dignidade de cada pessoa. E assim como Dona Maria quantos necessitados não desciam o morro do seminário com comida para uma boa refeição. ” (Sr. Geraldo da Silveira Bueno)

Igreja do Seminário de Pirapora

“As últimas festas do Senhor Bom Jesus, por volta de 1928 a 1933, já tinham dado uma animosidade extraordinária nos dois barracões, onde se dançava o samba. Por causa disso no ano de 1934 os sambistas que vinham de Campinas tinham arrumado uma escolta policial para assegurarem seus lugares, pois os sambistas de São Paulo, julgando que Pirapora pertencia ao terreno deles, resolveram expulsar os rivais e solicitaram reforços policiais para defender o que era seu. O que vai acontecer? No próprio dia da Festa os grupos policiais entram em combate para proteger cada um de seus sambistas. Guerra entre Campinas e São Paulo nas ruas de Pirapora! Ordens são dadas e soam os tiros por todo lado. Uns tentam, partindo da rua atrás da igreja, subir à rua Siqueira Campos, enquanto outros descem. Perto da matriz os dois grupos se encontram e as balas pipocam... assustados muitos romeiros deitam no chão ou tentam fugir... Entre eles os “tais mendigos” largavam os carinhos e cadeiras de rodas, em que se apresentavam como incapacitados de andar largavam muletas e cadeiras para salvar a vida. De pura vergonha, nem depois do encontro policial, tiveram a coragem de buscar as muletas largadas. No meio de confusão geral e do grande pânico, abre-se a porta da sacristia e aparece Dom Alderico paramentado para a Missa com uma cruz na mão. Alguns tentam ainda segurá-Lo, mas com um gesto decidido pede licença e avança para os combatentes: “Meus irmãos, em nome deste Senhor Bom Jesus, por causa do qual todos nós estamos aqui, parem de atirar uns contra os outros. Abaixem as armas! Abracem-se mutuamente, pois somos irmãos e não inimigos... Abaixem as armas e conversemos!” As armas se calam, abaixam-se as cabeças e um grande silêncio se espalha pela praça... Após alguns instantes os primeiros de ambas as partes se apresentam e de cabeça baixa se aproximam do prelado para pedir perdão e beijar-lhe o anel. A paz estava refeita e a Eucaristia começou no Santuário com todos unidos como irmãos.” (Dona Benedita Aparecida dos Santos.)

“Por volta de 1934, não havia, na vila de Pirapora, médico, farmácia nem dentista a não ser o irmão Frederico Debaiffe, que havia feito um curso em Araraquara em tempos idos. Quando acontecia de haver algum doente em Pirapora ou nas imediações, ou alguém viesse pedir auxílio para pessoas que haviam sofrido algum desastre, o irmão Frederico saia a fim de prestar os serviços farmacêuticos e odontológicos juntamente com Dom Abade, que simultaneamente prestava o auxílio espiritual às vitimas. Eles saiam a qualquer hora da noite a cavalo para ajudá-los, com as montarias arreadas pelos próprios mensageiros que o vinham solicitar. Dom Alderico fazia questão de acompanhar o Irmão Frederico, preferindo que os outros confrades, que tinham aulas no dia seguinte, pudessem descansar tranquilamente durante a noite. Como pároco queria ele mesmo socorrer seus paroquianos. As estradas por onde percorriam os viajantes, eram de oferecer perigos, eram escabrosas escorregadias em demanda aos lugares das vítimas ou doentes. Nada segurava os dois quando se tratava de ajudar os necessitados.” (Irmão Tadeu de Oliveira, O.Praem.).

Seminário de Pirapora

Como última lembrança dele, copiamos o testemunho de um piraporano anônimo a respeito da despedida de Dom Alderico Lambrechts aos 27 de junho de 1936: “O enterro dele foi uma cerimônia triste e vitoriosa ao mesmo tempo. No presbitério do santuário, donde ele tantas vezes tinha dirigido a palavra aos seus paroquianos, estava o caixão com seu corpo vestido de insígnias pontificais: o báculo ao lado do caixão, a mitra na cabeça e no dedo seu anel abacial que brilhava pelo reflexo das velas acessas. O povo fazia fila para passar diante do caixão e beijava-lhe o anel pela ultima vez. Não poucos tentavam segurar as lágrimas... Lá estava realmente no caixão alguém que era da família... era o pai.”

Dados tirados do Informativo da Abadia de Jaú.
“Espaço Norbertino” Ano 6 N0 III 1993 Edição Extra.
Pirapora do Bom Jesus, 23/09/2013.
Côn. Godofredo Chantrain, O.Praem.

 
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